Por Nicolás José Rodriguez

O aumento do uso de medicamentos para ansiedade e distúrbios do sono, como Alprazolam, Clonazepam, Zolpidem e Xanax, tornou-se uma preocupação crescente de saúde pública.

Segundo a psiquiatra Ana Karina Hurtado Márquez, o crescimento do consumo de psicotrópicos na Argentina reflete mudanças sociais e maior ansiedade da população.

Em entrevista ao El Planteo, a profissional explicou que o aumento de 11% no uso de benzodiazepínicos em 2023 é um indicador claro.

Neuroadaptação

“Na minha experiência clínica, a maioria diria que 99% da população idosa consome um benzodiazepínico, às vezes durante 30 anos. Antes era mais comum o Lexotanil, agora o Clonazepam ou o Alplax e o Valium para a dor”, comentou Hurtado Márquez.

“Há pacientes que tomam cronicamente quando na verdade precisam de acompanhamento médico. Os benzodiazepínicos podem ser administrados por no máximo 4 semanas para que o paciente encontre outros mecanismos para seguir sua vida e abandonar o hábito”, continuou.

E esclareceu que, para evitar o uso prolongado, sua administração exige rigoroso acompanhamento médico e alternativas terapêuticas para não gerar dependência.

“O paciente chega à intolerância, gerando neuroadaptação aos psicotrópicos e necessidade de ter esse medicamento no organismo. Por isso é fundamental avaliar o risco/benefício do uso de psicotrópicos em cada paciente, sempre sob supervisão médica e por um período de tempo limitado”, acrescentou Hurtado Márquez.

Impacto na saúde pública e na cannabis medicinal

O aumento da prescrição de medicamentos psicotrópicos representa desafios significativos para a saúde pública. Hurtado Márquez menciona que a cannabis medicinal, reconhecida pela FDA nos EUA, poderia desempenhar um papel crucial na redução do uso de drogas psicotrópicas.

Combinada com terapias alternativas, como psicoterapia e exercícios, a cannabis oferece um perfil de menor risco de dependência e efeitos colaterais.

Experiências com cannabis para ansiedade

Em sua prática, Hurtado Márquez observou como a cannabis medicinal pode ajudar a reduzir os danos derivados do consumo de outras substâncias e melhorar a qualidade de vida do usuário.

A combinação de cannabis com terapias comportamentais e mudanças no estilo de vida demonstrou ser eficaz no controle da ansiedade.

“Algumas diretrizes importantes devem ser estabelecidas nos tratamentos. Problematizar o uso de cannabis e drogas psicotrópicas. E, ao mesmo tempo, procure mudanças no comportamento das pessoas. Desta forma, pode-se fazer uma administração eficiente dos diferentes canabinóides, sejam THC, CBD, etc.”, explicou a psiquiatra.

Barreiras culturais e políticas à adoção da cannabis medicinal

Barreiras culturais, sociais e políticas podem impedir a adopção da canábis medicinal.

A especialista enfatiza a necessidade de partilhar informação baseada em evidências entre os profissionais de saúde e de utilizar os meios de comunicação para educar o público.

Hurtado Márquez destaca a importância de abordar criticamente o uso de drogas psicotrópicas e promover uma compreensão adequada de alternativas como a cannabis medicinal.

Por fim, a médica destacou que o crescente uso de psicotrópicos para tratar a ansiedade e os distúrbios do sono na Argentina e no mundo destaca a necessidade de explorar alternativas como a cannabis medicinal.

Matéria originalmente publicada no site El Planteo e adaptada ao Weederia com autorização