Dor de cabeça intensa e latejante, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz ao som. Estes são alguns dos sintomas da enxaqueca, condição que atinge cerca de 15% da população mundial e no Brasil mais de 30 milhões de acordo com a Organização Mundial da Saúde. 

A enxaqueca pode durar de quatro a 72 horas, se não tratadas e pode ser desencadeada, principalmente, pela falta de sono, predisposição genética, estresse, alteração hormonal (principalmente em mulheres) e ansiedade.

O tratamento pode ser realizado com analgésicos comuns combinados com outras drogas, além de uma alimentação equilibrada, sono regular, prática de exercícios físicos e controle de estresse e ansiedade.

No entanto, ao longo da história da humanidade um medicamento natural tem sido utilizado e, graças à proibição, acabou sendo marginalizado nos últimos tempos: a cannabis. De fato, descobertas recentes sugerem que um sistema endocanabinoide deficiente pode ser a causa subjacente de enxaquecas e algumas outras condições difíceis de tratar.

Um estudo realizado em 2016 pela Universidade do Colorado examinou a eficácia da cannabis em 121 pessoas com enxaqueca e 85,1% dos pacientes relataram que sua utilização foi eficaz. Ela foi capaz de reduzir o número de enxaquecas de uma média de 10,4 para 4,6.

Este número é muito similar a um outro estudo realizado em 2019, no qual 316 pacientes com enxaqueca crônica foram analisados. No total, 88,3% dos pacientes relataram melhora das enxaquecas, com redução média de 42,1% na frequência mensal de enxaqueca. Alguns pacientes experimentaram uma redução ainda maior (50% ou mais), e muitos relataram melhorias no sono, ansiedade e humor.

O famoso Dr. Ethan Russo, um dos principais nomes ligados à utilização medicinal da cannabis, realizou em 2011 uma revisão científica sobre o tema, que inclui relatos de casos entre 1842 e 1942. O Dr. concluiu que “Com base na revisão acima, é convincente o caso de que a ‘maconha medicinal’ merece escrutínio científico formal para o tratamento da enxaqueca”.

Mas, por qual motivo a cannabis pode ser esta aliada no tratamento? A resposta, como sempre, está no Sistema Endocanabinoide. 

As pesquisas indicam que o sistema endocanabinóide pode interagir com vários processos envolvidos nas enxaquecas. E, um destes, é a liberação da serotonina química do cérebro pelas plaquetas, pequenos fragmentos de células encontradas no sangue. Os endocanabinoides, como THC e CBD, podem prevenir essa liberação e que indivíduos com enxaqueca crônica apresentam níveis reduzidos de anandamida e 2-AG em suas plaquetas.

Os endocanabinóides têm sido associados a uma parte do cérebro chamada sistema trigeminovascular, que é amplamente considerado como tendo um papel central na causa de ataques de enxaqueca. Pesquisas sugerem que os endocanabinoides regulam esse sistema através do receptor CB1. Por exemplo, um estudo de 2004 descobriu que a anandamida inibe os neurônios trigêmeos, sugerindo um mecanismo de como os endocanabinoides podem prevenir enxaquecas.

A anandamida, endocanabinóide de ocorrência natural e é estruturalmente semelhante ao THC, liga-se aos receptores CB1 e tem efeitos inibitórios nos receptores de serotonina tipo 3. Isso levou alguns cientistas a levantar a hipótese de que certas condições neurológicas, como enxaquecas, ocorrem devido a um sistema endocanabinoide disfuncional. 

Recentemente o Canadá desenvolveu um exame que consegue mensurar o nível de anandamida no cérebro. Com isso, pesquisadores conseguiram identificar que o desequilíbrio deste endocanabinoide pode causar fibromialgia, enxaqueca e intestino irritável. 

Teoria condizente com questões levantadas pelo Dr. Ethan Russo, que demonstra que níveis insuficientes de endocanabinoides podem ser a causa de uma ampla variedade de condições difíceis de tratar, incluindo síndrome inflamatória intestinal, fibromialgia e enxaquecas.

Um estudo de acompanhamento de 2011 relatou que a administração de anandamida a ratos com dores de cabeça semelhantes à enxaqueca reduziu tanto a ativação dos neurônios no sistema trigeminovascular quanto a dor associada.

E, justamente por esta relação com os receptores CB1 que o THC e o CBD, os canabinoides mais abundantes na cannabis, podem auxiliar no tratamento. Mas, além destes dois, o CBG – canabigerol, também tem demonstrado bons resultados. Evidências iniciais nos dizem que o CBG é útil para a redução da pressão ocular. 

Pesquisas mais recentes também demonstram o poder do CBG para inflamação e neuroproteção. As teorias sobre as enxaquecas afirmam que “as enxaquecas são uma resposta defensiva e neuroprotetora integrada ao estresse oxidativo do cérebro”. 

Ainda necessitamos de mais estudos para entender por completo a relação entre a cannabis, o sistema endocanabinoide e as enxaquecas. No entanto, tanto o CBD quanto o THC têm se mostrado promissores, principalmente quando combinados. Mas, antes de começar qualquer tipo de tratamento, consulte o seu médico para entender qual seria a melhor combinação para você e seu organismo.

Conheça a Dra. Amanda Medeiros

Amanda Medeiros Dias

Dra. Amanda Medeiros Dias (Crm 39.234 PR) é médica com pós-graduação em pediatria e nutrologia pediátrica e, atualmente, está cursando Psiquiatria Infantil pelo CBI Miami. Possui Certificação Internacional Green Flower de Medicina Endocanabinoide.

Com experiência na prática clínica com crianças e adultos, visão integrativa olhando o paciente como um todo, possui experiência prática mesclando medicina com aromaterapia e cromoterapia, com foco na visão holística. 

Além de prescritora, é paciente de cannabis medicinal desde 2018. Também é diretora técnica no Instituto Coração Valente e médica voluntária em projetos da UNA (Unidos pela Amazônia).

Para entrar em contato com a Dra. Amanda Medeiros:

Instituto Coração Valente

E-mail: contato@institutocoracaovalente.com.br

Telefone – (41) – 99725-1582

Clínica Gravital

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